14.10.07

Três Tempos.

Foi, de fato, a primeira vez que aconteceu e então, pensei como se tivesse resolvido uma fórmula - sua mão sempre me parecereu com um pêndulo nas vezes em que suspendera os dedos para tocar em meu rosto - a sombra dos seus dedos acariciaram o contorno dos meus lábios -, talvez, exatamente isso. Ou monotonamente isso (já te falei que quero pra vida toda?), até então era um sinalzinho de canto de boca que acompanhará a curva do seu braço todas as vezes em que você não me faz um carinho. E apenas suspendeu os dedos (do outro lado do mundo, uma moça de olhos languidos andou suspirando por toda a vida com o toque breve de uma sombra nos lábios... sensações); passei a respirar perto de sua mão sem alterar o ritmo de vai-e-vem do meu peito, imperceptível - você precisa de alguns anos para resolver uma equação, uma boa equação, mesmo quando os fatores nunca se alteram - Até aqui, contei sempre com um encanto; perpendicular, e nesse dia que foi tão esperado, aparecereu a equação mais forte, gigante e redonda, no caminho do seu ombro. Sorri. Depois, você sorriu também.

* * *

Então, um dia, ficarei na ponta dos pés - rindo lá de cima da altura que enviezava, de baixo para cima, o olhar. Depois cansarei e deixarei meus tornozelos descansarem por mim, a planta do pé plantar no chão e lhe abraçarei como sempre será a partir de outros tempos. Assim, as testas postas. Os olhos quandos olham para dentro de outros olhos se multiplicarão tantas vezes que poderemos ver o tanto de gostar que conseguimos sentir.

* * *

"Hoje é tão tarde, meu amor, e tenho sono". Você diz e se acomoda entre as dobras das cobertas e o meu corpo - suspiro cada segundo, não consigo deixar de pensar na praia, nos fins de tarde dos domingos, no apartamente com varanda, nas músicas compartilhada, no oriente, enquanto adivinho uma ou duas sombras que desenham elefantes entre a cômoda e o vão da porta, e você sabe que no japão o império durou tantos e tantos anos e eram tão lindos os imperadores japoneses, preciso lhe contar que eram tão lindas as suas honras - até que você murmura, grudando seus lábios nos meus - e em algum lugar do meu sonho que ainda não começou, você ri - dorme e no japão já amanheceu - já é tão tarde, que sonho com um amor de mundo inteiro, ou só vejo o reflexo de um safari na áfrica refletido no espelho? as vozes monocórdias dos caçadores, e é tudo tão morno aqui embaixo quando viro para você que se deixa pertencer aos dedos que invadem as pontas dos tecidos; para outro lado do mundo que vamos, sonho como giro, despenca em penhasco, o tigre sai de savanas, tribo ao norte, calor no rosto, sua pele, sua saliva no meu pescoço, ainda é hoje. Tão tarde.

10.10.07

"De uma hora para doze"

Final de tarde é sempre esse susto: a hora inegável, o púrpura que mancha a ponta dos dedos quando tentamos apontar o horizonte. Um espanto pelo dia que escorrega Terra abaixo (mãe, o dia tá indo prô Japão, grita uma menina na janela) - o dia que foi pouco, escorrega rubro, quase envergonhado. Infinito do crepúsculo é o espanto pelo dia que deixou de ser, porém aconchega no acento agudo do "ú" a noite que ainda não chegou.
Depois, vem primeira estrela como uma roda, um círculo, um moinho. A primeira estrela: como uma roda, um círculo, um moinho. A pá que bate na água que espalha que verte que derrama que molha que brinda que refresca todas as outras estrelas. Sucessivas.
Uma após outra, as outras estrelas sempre virão.
A noite.
O véu é a noite. O véu.
A noite, que ficará pálida e derreterá, quando o dia, lá no japão, cansado de ser, escorregará morno (e uma japonezinha puxará o quimono da mãe e apontará o sei-lá no fim do céu),
o dia rubro da vergonha por não se aguentar no outra lado da Terra.
Como um recomeço, começo.
Estrelinhas explodem milhares de anos atrás e por milhares-mil anos na frente serão as luzes que veremos brilhar. O medir do tempo é olhar a tardezinha que acolhe cada sorriso, que brinda um brilho reflexo no outro brilho de olhar.

Observação: estes escritos contém desvios benéficos de interesse. Só.

4.10.07

E no Diário Oficial do GDF...

Governador do Distrito Federal "demite o gerúndio".
Mais: aqui.
Pois bem, a minha crença na civilização é tão grande quanto o meu amor pelos pinguins. Isso significa muito, acreditem.

3.10.07

para Tháy
que adora as coisas que escrevo
livre de boa poética



Ah, a primavera. Ah, as flores. Ahhhh, a renite alérgica e a Natyara coçando como uma taradinha o nariz.
Do nada, dispara essa coceira maldita. E nada é pior que aquela sensação de micro pulgas pulando desvairadas nas narinas. Coça-se. Sei lá qual a relação, e se tem a relação, mas nesses dias a minha sensibilidade à luz se torna insuportável, pior que sempre. Ôba, banca-se a doida de óculos escuros em todos os lugares.
Cenário: dia nublado, calor. A primavera e os pólens. As flores, todas. A luz é assombrosa mesmo com muitas nuvens. A coceira vem e vem. Ônibus intermunicipal. Senhora muito distinta ao lado. A coceira vem e vem. Continua, claro, não vou tirar os óculos. E a coceira continua vindo. Céus! Duas fungadas e banheiro. Porque coçar o nariz em público no meio do brasilienses seria demais.
Kleenex, Sorines e afins depois, voltei pro meu lugar e recebi um olhar de "essa juventude drogada não tem mais solução".
Eu mereço.
E a culpa?
Da primavera. Dos pólens. Do calor. Dessa tropicália toda. Da luz.
Eu não presto pra flor, sempre disse.

2.10.07


Ortodentitas sentem fome.
E agora eu possuo um sorriso metálico.

14.9.07

16 de setembro.

Mainha perguntou de ti.
Agora, olha que coisa louca. Assim, perguntou quem eras, perguntou de ti. Lembra que eu disse:"falando de você pra mainha aqui"... lembras? E ela nunca se importou muito "contigo", para não dizer que ela acha que eu estava de brincadeira. Mas sondou, sondou porque eu sorri mais sonoro que os diariamentes. Desconfiada, tentando achar prumo pro meu bom humor, veio com um papo de o meu espírito tava transbordando do outro lado da linha e ela tinha certeza que mesmo não sendo de minha vontade descortinar, poderia ser que fosse importante. E é. Desarvorei, dei de ombros. É que ando feliz, sabe?
Um tanto de vida nessas semanas, e daí eu volto lá no início. Nesse tanto de vida eu lá tenho tempo de ficar procurando mais?
Prometi, promessa dessas de vela e sete dias, que sobre/para/em ti não digitaria mais linha. Porque as escrevos e é incessante a maneira como o backspace trabalha.
Esperei e recontei estrelas, persegui pingos de chuva. Em uma vontade doce de escrever sobre olhos lânguidos... estes mesmos, teus. Os mais lindos que há sob a Terra.
Estúpida. Perdida entre um "mar" frio (eu não sei por aí, mas aqui andou esfriando um tanto que hoje minhas falanges gritaram), verde frio o mar que me perco.
Eu não sei nadar, baby.
E larguei a bóia.
E perdi a corda.

16 de setembro...
("...só enquanto eu respirar eu vou m lembrar de você")

12.9.07

Beija eu...

♫♥♪

Seja eu! Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...
Molha eu! Seca eu!
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu...
Beija eu! Beija eu!
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser...
Então beba e receba
Meu corpo no seu
Corpo eu, no meu corpo
Deixa!
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça...

♫♥♪

9.9.07

Da série: Piadas Internas

Começa assim: Treparam. Só assim.
Daí que o word marcou o treparam com aquele risquinho verde. O risquinho do mal. Nem me liguei, pensei que tinha escrito o "t" em minúscula e ele estava só reclamando. Botão direito do mouse e clique. Clique-o-que, minha frase era outra.
Ele substituiu Treparam por Tiveram relações sexuais.

Tiveram relações sexuais?
Esse word me envergonha.

Ordinariedades... rs.

7.9.07

I just hate.

Eu odeio ser ignorada. Eu odeio frases de efeito no MSN, ainda que as utilizem de vez em quando. Eu odeio aquele maldito "shampoo que lava colorindo" e destrói o cabelo. Eu odeio todas as falcatroas do Senado ( também odeio pagar CPMF). Eu odeio que falem comigo apenas para pedir favor. Eu odeio, com toda força do meu ódio, mulher interesseira. Eu odeio queratinização e ficar três dias sem lavar meu cabelo. justo o MEU cabelo! Eu odeio quem não respeita sentimento. Eu odeio mau atendimento em lojas. Eu odeio ter saudades de coisa que eu nem sequer experimentei. Eu odeio machismo e submissão e mais do que tudo isso ter que ser forte o tempo todo. Odeio bolsa de couro sintético combinado com sapato de couro sintético [se as fivelas combinarem eu posso enfartar a qualquer momento]. Eu odeio meninas Hello-Kitty em tempo integral. Sim, porque eu sou Hello-Kitty também, mas em horas e locais devidos. Odeio quem reclama da vida e não faz merda nenhuma pra mudar. Odeio coisas "organizadinhas", metódicas e em seu devido lugar. Eu odeio quem é muito certinha e me olha como se eu fosse a mais errada de todas [sim, foi pra você!]. Odeio muita teoria e pouca prática. Odeio julgamento. Odeio a frase: "eu nunca..." com a conotação de julgamento de alguém. Eu nunca o caramba, daqui algum tempo você dirá: eu já... é uma questão de tempo. Eu odeio quem põe regras na vida para começar a viver direito. Eu odeio com todo o poder de odiar que me é concedido, fígado acebolado...arg! Odeio quem não respeita crença religiosa de outrem. Odeio nunca ter ganhado na Mega Sena, nem na loto-fácil e muito menos bingo de quermesse. Odeio homem metralha. Eu odeio a banalização do "eu te amo". Mas também odeio quem demora para dizê-lo. Eu odeio músicas que lembram pessoas que sequer existem mais. Odeio os Estados Unidos, mas odeio muito mais o fato de a gente ter sangue europeu, mas ficar imitando esses estúpidos que também têm sangue europeu, mas são estúpidos por herança criada. E mais do que tudo, odeio ter começado esse texto e não saber como terminá-lo.

4.9.07

...

Então que as mãos trocaram de lugar com os pés. E num sem querer, num saber de não saber como, num agradar afoito, é que às vezes eu sou assim feito criança, baby. Quando as minhas mãos trocam de lugar com os pés. Porque são mãos tímidas. E mãos tímidas se calam não deixando perceber que no fundo desejam guardar entre elas as mãos que são tuas.

Espetácular é sempre ter umas palavras bacanas pra inspirarem um fim de tarde feioso... adoro poder estar, falar e ser contigo.

P.S.: lendo Lia, descobri que me encaixo perfeitamente aqui.