Foi, de fato, a primeira vez que aconteceu e então, pensei como se tivesse resolvido uma fórmula - sua mão sempre me parecereu com um pêndulo nas vezes em que suspendera os dedos para tocar em meu rosto - a sombra dos seus dedos acariciaram o contorno dos meus lábios -, talvez, exatamente isso. Ou monotonamente isso (já te falei que quero pra vida toda?), até então era um sinalzinho de canto de boca que acompanhará a curva do seu braço todas as vezes em que você não me faz um carinho. E apenas suspendeu os dedos (do outro lado do mundo, uma moça de olhos languidos andou suspirando por toda a vida com o toque breve de uma sombra nos lábios... sensações); passei a respirar perto de sua mão sem alterar o ritmo de vai-e-vem do meu peito, imperceptível - você precisa de alguns anos para resolver uma equação, uma boa equação, mesmo quando os fatores nunca se alteram - Até aqui, contei sempre com um encanto; perpendicular, e nesse dia que foi tão esperado, aparecereu a equação mais forte, gigante e redonda, no caminho do seu ombro. Sorri. Depois, você sorriu também.
* * *
Então, um dia, ficarei na ponta dos pés - rindo lá de cima da altura que enviezava, de baixo para cima, o olhar. Depois cansarei e deixarei meus tornozelos descansarem por mim, a planta do pé plantar no chão e lhe abraçarei como sempre será a partir de outros tempos. Assim, as testas postas. Os olhos quandos olham para dentro de outros olhos se multiplicarão tantas vezes que poderemos ver o tanto de gostar que conseguimos sentir.
* * *
"Hoje é tão tarde, meu amor, e tenho sono". Você diz e se acomoda entre as dobras das cobertas e o meu corpo - suspiro cada segundo, não consigo deixar de pensar na praia, nos fins de tarde dos domingos, no apartamente com varanda, nas músicas compartilhada, no oriente, enquanto adivinho uma ou duas sombras que desenham elefantes entre a cômoda e o vão da porta, e você sabe que no japão o império durou tantos e tantos anos e eram tão lindos os imperadores japoneses, preciso lhe contar que eram tão lindas as suas honras - até que você murmura, grudando seus lábios nos meus - e em algum lugar do meu sonho que ainda não começou, você ri - dorme e no japão já amanheceu - já é tão tarde, que sonho com um amor de mundo inteiro, ou só vejo o reflexo de um safari na áfrica refletido no espelho? as vozes monocórdias dos caçadores, e é tudo tão morno aqui embaixo quando viro para você que se deixa pertencer aos dedos que invadem as pontas dos tecidos; para outro lado do mundo que vamos, sonho como giro, despenca em penhasco, o tigre sai de savanas, tribo ao norte, calor no rosto, sua pele, sua saliva no meu pescoço, ainda é hoje. Tão tarde.
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Então, um dia, ficarei na ponta dos pés - rindo lá de cima da altura que enviezava, de baixo para cima, o olhar. Depois cansarei e deixarei meus tornozelos descansarem por mim, a planta do pé plantar no chão e lhe abraçarei como sempre será a partir de outros tempos. Assim, as testas postas. Os olhos quandos olham para dentro de outros olhos se multiplicarão tantas vezes que poderemos ver o tanto de gostar que conseguimos sentir.
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"Hoje é tão tarde, meu amor, e tenho sono". Você diz e se acomoda entre as dobras das cobertas e o meu corpo - suspiro cada segundo, não consigo deixar de pensar na praia, nos fins de tarde dos domingos, no apartamente com varanda, nas músicas compartilhada, no oriente, enquanto adivinho uma ou duas sombras que desenham elefantes entre a cômoda e o vão da porta, e você sabe que no japão o império durou tantos e tantos anos e eram tão lindos os imperadores japoneses, preciso lhe contar que eram tão lindas as suas honras - até que você murmura, grudando seus lábios nos meus - e em algum lugar do meu sonho que ainda não começou, você ri - dorme e no japão já amanheceu - já é tão tarde, que sonho com um amor de mundo inteiro, ou só vejo o reflexo de um safari na áfrica refletido no espelho? as vozes monocórdias dos caçadores, e é tudo tão morno aqui embaixo quando viro para você que se deixa pertencer aos dedos que invadem as pontas dos tecidos; para outro lado do mundo que vamos, sonho como giro, despenca em penhasco, o tigre sai de savanas, tribo ao norte, calor no rosto, sua pele, sua saliva no meu pescoço, ainda é hoje. Tão tarde.

