15.7.09

Tem sido assim...

Amanheceu, são 07h00 da madrugada. Natyara corta a frente, puxa a menina pela mão:
Natyara: Rápido que tô atrasada!
menina: Atrasada prá que?
Natyara: Não sei, mas tô atrasada!

9.7.09

Quatro semanas, o recesso me trouxe tempo para ler coisas boas. Muitas coisas, mesmo. A quantidade de informação é absurda, talvez eu demore alguns meses para processar tudo. Talvez eu nem precise processar tudo, afinal, acredito que para essas coisas que serve: riscar o fósforo na caixa.
Uma das informações mais encatadora foi essa:
"How many brain scientists have been able to study the brain from the
inside
out? I've gotten as much out of this experience of losing my left
mind as I have
in my entire academic career."
Jill Bolte Taylor
Em uma manhã, uma veia explodiu no cérebro de Jill Bolte Taylor. No primeiro momento, um estranho paradoxo: quando se deu conta que estava tendo um AVC, sua mente de cientista viu a possibilidade incrível de uma neurocientista assistir um fenômeno desses “de dentro para fora”. Porém, sem poder fazer nada que pudesse parar a hemorragia, Jill assistia as funções cerebrais sendo uma a uma chutadas para longe: movimento, fala, memória, auto-consciência.
Duas semanas depois, um coágulo do tamanho de uma bola de golf foi retirado do seu hemisfério esquerdo. O lado responsável por manter organizado o nosso “softaware” e de calibrar e manter em perfeito funcionamento o nosso “hardware”. Da inacreditável força e motivação para se manter viva, seguiram-se oito anos de recuperação até que pudesse retomar totalmente seu pensamento, sua fala e locomoção.
O mais surpreendente, é que Jill encontrou "a força" justamente no grande e expansivo mosaico de imagens e sensações do hemisfério direito. Ou seja, Jill, impossibilitada de ligar na tomada sua máquina naquilo que costumeiramente chamamos de “razão"ou "lógica”, plugou-se em uma monstruosa energia que, como ela mesmo relata, nos une como seres humanos.Esse “choque energético” fez com que essa mulher pudesse telefonar e pedir socorro, depois de ter perdido completamente os códigos que lhe possibilitassem ler, identificar qualquer número (ou saber o significado de um número), falar e caminhar.
Peço que você esqueça pré-conceitos, não leve as coisas para o lado ideológico, filosófico, religioso ou qualquer blábláblá. Ganhe 20 minutos do dia e assista o depoimento de Jill Bolte Taylor. Isso é ciência, e por ser ciência poderia ser somente óbvio, mas também por ser ciência, é belíssimo.Apenas se disponha à experiência dessa neuroanatomista, pesquisadora do Harvard Brain Bank e absurdamente generosa ao compartilhar a experiência de quão maravilhosa é a nossa mente.

Cabeleleiras sentem fome.


Blond and Short again.
Curiosidade: alguém sabe me dizer que nome se dá ao profissional que coloca piercing?


2.7.09

Ao blog o que é do blog.

Não adianta querer escapar, todo blog acaba tendo este ou aquele teor umbiguista. Ou desde muito cedo, o autor delimita de uma maneira muito clara o assunto e leva isso a sério, ou em algum post da vida caíra em tentação e contará sobre uma mediocridade qualquer da - própria - vida.
O fator diário não é de todo ruim. Eu estaria dando um gigantuário tiro no pé caso me metesse a falar mal dos diariozinhos digitais! O problema é contar a vida da gente, como se realmente alguém se importasse com isso. Existe muita diferença entre um "relatório da vida" e usar do que acontece na vida, para ser cronista da mesma (ainda bem que tem gente que sabe fazer, cria um narrador no blog e faz da ego-trip um exercício de escrita).
O fato é que depois de uma série de posts escrevendo "sentimentações", ou tentando fazer com que as bobagens que me acontecem tenham alguma relevância para as quatro (ou cinco?) pessoas que lêem esse blog, bateu uma secular preguiça de inventar uma historinha qualquer para contar uma coisa simples e egocêntrica: trocarei de computador.
Sim, esse post já está sendo escrito do notebook (quase meu), porque além de trocar de computador resolvi aderir ao conforto de escrever deitada na minha cama, totalmente conectada ao mundo, ouvindo minhas musiquinhas e sendo fútil, porém, high tech.
O problema é que tanto orgulho deve ser pecado.
Pior, a punição divina é, nesse caso, aquela do velho testamento. Assim como a onisciência, implacável. Afinal, deus, em todas as suas "ências" previu e puniu antes mesmo que eu pensasse em me exibir.
Mas de que porra ela está falando, vocês estarão pensando (se é que chegaram até aqui, porque esses posts do tipo diário são bem chatos, né?).
Bem, nessas de trocar de computador, também terei que fazer o frete dos arquivos. Quero dizer, trazer os documentos que estavam lá na charretinha para o Porsche, aqui. Fiz o frete usando pen drive, que dizem ser veículo indicado para essas mudanças. Não deu muito certo. Sei lá em que parte do caminho os documentos se perderam, ou em que esquina caíram da caçamba: o resultado é que as caixas com tudo que escrevi até hoje, impresso, publicado ou não, entraram para o limbo absoluto dos arquivos perdidos na virtualidade. Tudo mesmo. Toda produção de ficção. Toda produção acadêmica (e antes que me perguntem, não, eu não tinha backup).
Agora sou uma sem-texto.
Mas, é preciso me confortar com isso, com processador intel core2 duo, 2gb de memória, 200GH HDD, 15" widescreen crystalbrite lcd, virtual surroundsound para começar tudo outra vez.

18.6.09

De todas as formas, Saudade.

"Eita saudade...saudade que bate,saudade que chora,saudade que implora...implora o amor de alguém.alguém que também está à espera,que reveste a casa de abraços e carinhos silenciosos, e faz barulho só pra dizer que te ama.que te ama muitão!mas no poema há uma correção.correção quanto a espera.ela não finda até que se encontre o ser amado.e antes que me faça esquecer,porque também espero o acontecer,digo que a data é 20, e não 19 como você queria dizer.e, com certeza, além da honra, do prazer e da emoção de você adiar seu esperado encontro por minha causa, há o valor da nossa amizade.que, de tão valiosa, já não se pode avaliar.porque nem que eu vivesse mil anos saberia como agradecer o suficiente por você ter aparecido na minha vida.te amo, molanguinho!!!!te amo por todas as qualidades que fazem de você uma amiga tão especial, tão querida, tão amada, e por todos os defeitos que só aumentam as tais qualidades."
Si.

16.6.09

Incompleto

...é como ter uma idéia, uma grande idéia, uma dessas revelações que nos fazem rir sem motivo algum para sorrir. Mas isso tudo pode ser que aconteça apenas depois de passar o café, e servir o café, depois de olhar para rua e ver que o tempo, hoje, ainda não melhorou.
Esta minha memória seletiva anda uma beleuuuza. A sua também? Então vamos fazer um esforço grande para acreditar que o mundo anda bem lindo.
Quem sabe a gente vive um momento hippye. Não precisamos deixar de tomar banho, claro que não, nem usar motivos florais, deixar crescer pêlos a la Cláudia Ohana e coisa e tal (o acento diferencial caiu, mas só deixo de usar ano que vem).
É que o tempo desliza tipo aquela gotícula de suor na barriga da mulher que se bronzeia nas areias de uma praia; quando a gente quer prestar atenção, já era. A areia chupa a gota com bastante gosto, vai lá procurar pra ver se acha sobras. Fica um rastro, estradinha de suor pela cintura, que sem se saber como, some com as lambidas do sol meridional. É assim que as coisas se esvaziam da memória, evapora com o calor dos minutos do dia.
Mais de um mês é muito tempo. Para o bem e para o mal. Do mal, que a distância nos persegue, mas é por pouco... ou um quase nada de tempo.
Por um único dia em junho e uma espera que se findará em 19.

7.6.09

naty amorim, literatura, umbiguismos, nunca extremos, ego-shots, ficção, non sense, muita cor, pouco branco em volta, no fundo luísa nunca morre, entende, naty AMORim, mais literatura, crítica do que os outros escrevem o tempo todo, um pôr do sol para esquentar minha manhã, apontamentos, ontem vênus apareceu no céu e deu prá ver a olho nú, só se pode encher um pote até a borda, nem uma gota a mais, um pomar inteiro de morangos, alguns tomates podres vezenquando, as bananas tornaram a morrer, remédio para minha insônia é perder a cabeça no teu ombro meu amor, natyaras, luísas e margaridas, no espelho, no fundo do espelho a luísa nunca morreu, minha borboleta é lilás, maria, juntei cinco estrelas no céu ontem para ti, que navios de tristeza somos nós navegando nesse silêncio abafado pela escuridão do inverno, mas tudo ficará bem, basta nunca usar reticências... nem no início... nem no final...

Insônia.

E essa, agora? Prendeu meu corpo dentro dela, não me deixou dormir.

5.6.09

Terça-feira, 25 de setembro de 2007.

Remeti esse e-mail faz bastante tempo. E me pareceu de bom tom publicá-lo. Divirtam-se.

Para: renancalheiros@senado.gov.br
Assunto: Obrigada.

Ex.mº Sen. Renan Calheiros,
Escrevo-lhe porque gostaria de lhe agradecer, além de confessar que tenho a mais profunda admiração pelo senhor. O senhor é um homem bastante letrado, muito provavelmente um conhecedor dos clássicos, um homem que, presumo, mais de uma vez deve ter lido as tragédias gregas. Falo disso, porque sou apreciadora da literatura clássica e das grandes obras que determinam o cerne da cultura e da literatura ocidental.
Mas, afinal, que intenção tenho eu em manifestar admiração desta maneira? E por que lhe agradeço? Acontece, senhor senador, que sou aspirante escritora. E o senhor sabe, escritores vivem de gerar personagens, dar cor, vida e memória a esses seres que habitam nossa imaginação. Contudo, têm dias em que as mentes, por mais criativas, minguam. E nessas horas, precisamos nos alimentar. O senhor é um alimento para alma de um escritor, ainda que aspirante, senador. Uma lenda viva. Basta navegar por alguns minutos pela internet, ler algumas linhas do jornal, ver duas ou três vezes as notícias da TV Senado, ou seja, assistir alguns poucos dias de sua rica existência para beber aos montes as nuances mais profundas que fazem verossímeis as grandes figuras.
Nem mesmo Eurípes poderia imaginar que em algum dia seria dado por deus tal modelo, senador. A junção, em apenas um homem, de tanto poder de persuasão, ousadia e desfaçatez. Nem nos maiores sonhos, Aristóteles poderia prever tamanho caráter, dotado de tantas faces, todas elas tão reais - que como em uma daqueles lares de espelho, não sabemos se a verdadeira é a da esquerda ou a da direita.
O senhor, senador, é Venturoso, é Fausto, é amigo do Rei. A grande tragédia, senador, é que o senhor, como toda a boa literatura, não passa de uma gorda farsa.
Natyara Amorim.