10.5.10

Plural

Às minhas queridas mães: Anita e Cleide Amorim.


Era uma vez, uma barriga... Uma barriga que crescia, chutava e se deliciava com a vida que vinha e que estava por vir.
Era uma vez um sorriso, um choro, uma vida em sangue puro e quente de duas vidas que jamais se desligariam.
Era uma vez passos, medos, sorrisos e vozes. Vozes de consciência, de aprendizado, do certo e errado e do que ainda está por vir... Grandes desejos, imaginações de duas almas que talvez ainda não se comunicavam por palavras, mas já tinham elos parar todo o sempre.
Era uma vez o primeiro machucado, as risadas, o medo de cair e a vontade de se levantar, as decisões de uma que seria a vida e o orgulho da outra, para sempre uma, para sempre final sem fim.
Era uma vez a confiança, o medo de perder, o conhecimento, a saudade, a vida nos olhos delas que, no fim, era uma querendo ser a outra... por preocupação ou admiração, mas só um gosto, uma colherada, mais um outro abraço e sorrisos que as lágrimas sempre irão enaltecer.
Era uma vez a rebeldia, as mudanças, as discórdias, um mar de rosas onde a cria queria sempre ajudar a mãe, que ela pudesse interpretar o papel que não era seu, mas que havia aprendido com a melhor professora.
Era uma vez a volta, a perda e a superação... Um misto de cores e não cores, mas que sempre seriam a mesma estrada à diante, com tijolos às vezes gastos e podres... outras vezes, com tijolos de ouro que, por se passar, encher de vida os olhos e o coração.
Era uma vez a cumplicidade, a coragem de uma que ensina, a vida que morre por não se tentar e a que nasce no abraço quente que o amor dá.
Era uma vez uma Deusa, uma Fada, a mitologia bela e clara da vida real, de traços soltos e leves, desenhados nela e na vida dela, nobremente escritos ou descritos pela cria que a venera, para sempre.
Eu nasci de duas barrigas, juro.



Veneno.

Me esmagou forte a saudade, na hora de despedir.
Lembrei da noite anterior, do seu beijo, do seu carinho, do seu toque e do seu amor que entra em mim como uma explosão...
Senti falta do seu cheiro, ainda sentindo-o.
Quis te beijar pra sempre pra não perder o seu gosto, quis te levar comigo pra longe, pra qualquer lugar. Quis que você colasse em mim.

Agora a lembrança me faz viajar, me faz perder o senso, o norte, a razão. Fico parada no tempo que você estava comigo, estagnada.
Amor meu, minha vida, meu sonho.
Se cada palavra que eu disesse tivesse uma cor, seria a sua.

Já não bastam as palavras, a falta é intensa.
A saudade abre a minha porta com violência e grita o seu nome enquanto eu perco os sentidos, tentando sentir você.

Quero voltar no tempo,
no tempo em que o tempo não passava ao seu lado
Estou esgotada. E muitos diriam que estou esgotada por pouco, que isso não é de se preocupar.
A verdade é que dentro de mim, nessa fragilidade protegida por uma casca aparentemente forte, eu sofro.
Sofro por que ser natyara vezenquando parece pejorativo. Ser natyara é um espanto e a minha felicidade parece desrespeitosa, porque ela tem dado o direito a todos de me desrespeitarem.
"Você incomoda, tem gente reclamando.".
Eu incomodo. E eles?
O mais revoltante é narrar o fato e escutar "É normal.", "Tem gente que é assim mesmo.", "Vá se acostumando!". Okay. Eu estou cansada e esgotada de saber tudo isso... E eles? E esses outros, que são tão estranhos pra mim quanto eu sou pra eles? Eles pararam pra pensar que é normal, que tem gente que é assim mesmo e que eles tem que se acostumar? Não.
É muito fácil agir pela conveniência própria. E como diz a personagem da Terça Insana, Betina Botox, alguém já parou pra pensar o que ME incomoda? Não.
Sabe porque? Porque natyara é coisa de outro mundo, que muita gente só vê na TV, que ainda não é real. É um personagem, como Betina Botox. Sou assim porque represento um papel. Sou revoltada, sem causa e com amor, com boa criação, tenho vida, não sou como eles: acéfalos.
Sim, é assim que eles muitas vezes me vêem.
Não posso amar, não posso sorrir, não posso abraçar o meu par.
E eu, eu me esgotei.
Cansei de parecer o lixo que não sou.

5.5.10

Palavras somem durante a madrugada fria de Recife enquanto entrelaçamos sexualmente nossos corpos. Ponto final.

20.4.10

Pequenas descobertas - parte II

Ninguém consegue ficar triste tendo Luma como filha.
Cuidou do dente, filhota?

Pequenas descobertas

Se Pilatos fosse mulher, não seria um lavar de mãos, mas um lixar de unhas.

Notícia de (f) utilidade pública:

Para que ninguém conclua que este sítio (ou sua dona) foi dessa para melhor, informo que estamos num período de profunda inatividade literária por motivos de força maior. E acadêmica. Novas bobagens, digo, postagens, só depois de desafogar as provas de Anatomia, Histologia e Bioquímica. Prometo escrever algo no dia 26 de abril. Estarei de ressaca, mas tudo bem.
Até.

12.4.10

PQP!

Bula timpânica da parte timpânica do osso temporal. Processo acromial. Sulco para o tendão do músculo oblíquo do carpo. Osso sesamóide distal. Osso metacárpico terceiro. Insisura glenoidal. Tuberosidade redonda maior. Processo coracóide. Sulco para o tendão do músculo extensor radial do carpo. Crista supracondilar lateral. Corpo da falange média. Processo cornual do osso central (...) ad infinitum!
.
Caio F., socorro!

8.4.10

Explicação tardia.

Demorei, mas voltei.
Estou indo de encontro ao inevitável.
Hoje eu sou um dragão conhecendo o paraíso.
E, como as bolhas de ar, os dias não têm a menor importância. A que ponto chegamos, meu Deus, dizia ela, que não acreditava em Deus nenhum. A que ponto chegamos. Ela sofria por constatar que a vida não tinha nenhum sentido e para ela não fazia sentido destituir a vida de sentido. Mas a verdade era esta e é por isso que doía. Não faz sentido algum e alguns senhores alguns poucos privilegiados, sabem disso muito bem e tiram proveito da situação. São os homens cujos nomes ecoam em toda parte, mas o rosto quase ninguém viu. São os senhores que se escondem atrás de nomes que todo mundo conhece bem, nomes que se tornaram tão onipresentes que destronaram o nome próprio das coisas e botaram seu nome no lugar. São esses senhores que engordam suas panças e enchem seus bolsos e andam por lugares do mundo dos quais pouca gente sabe. Lugares que talvez sejam os últimos onde exista alguma beleza genuína. São esses senhores que pagam pelos outdoors que dizem haver beleza em cada esquina. E em cada esquina, existe uma vitrine.