14.3.11
Da série: retomada
22.2.11
Saudações rubro-negras a todos. É assim mesmo, o assunto 1987 insiste em render, arder em mais polêmica, então irei ousar traçar algumas linhas sobre o tema, mesmo que algo a contragosto.
Ainda 1987...
Ontem, a CBF, passados 24 anos (eu tenho 25 só para constar), finalmente adernou em direção ao que apontam os fatos e resolveu formalizar o quarto título brasileiro do Flamengo. A posição, que se insere no escopo de uma pesada guerra econômica e comercial por direitos de TV (aliás, só lembro que esse imbróglio ainda pode render muita confusão. Que não se duvide do surgimento de Torneios Apertura e Clausura, como ocorreu igualzinho na Argentina, justo por brigas de TV), fez com que muitos torcedores flamengos abrissem o peito e urrassem de desabafo, na linha do “SOU CAMPEÃO, PORRA!” Compreensível. Vou propor um exercício que vai exigir do leitor uma terrível capacidade de abstração, uma experiência quase lisérgica, pelo seu absurdo e incompatibilidade com o real, mas preciso desse exemplo para desenvolver minha tese: imagine a final do Brasileiro de 1987 no Mineirão. O gol do título sendo marcado pelo Sérgio Araújo, após passe do meia Renato Paulista, e o Atlético-MG de Telê comemorando seu segundo título nacional. Passados 10, 20 anos, ninguém, a não ser um ou outro cruzeirense mais radical, negaria a lisura e a legitimidade do título mineiro. Pelo contrário, o inofensivo galo mineiro ainda poderia ser reconhecido como um “campeão da ética, da moralidade blá blá blá”. Mas calhou que o campeão não foi o Atlético, o Inter ou outro time meia-bomba desses qualquer. Foi o Flamengo. É aí que reside a polêmica, a busca pela confusão, pelo bate-boca sem sentido. O Flamengo vende. O Flamengo rende. Não vivi aquela época intensamente. Estava numa idade em que ainda não entendia TUDO de futebol, tampouco matava e morria por meus ídolos, mas já sofria nos jogos. Somente anos depois quebrei uma porrada de coisa no gol do Renato Gaúcho no Maracanã. Mas, no entanto, para mim o anúncio empolado de que o hexa é hexa não teve rigorosamente efeito algum. Como diz o Zico, sempre lúcido: “não muda nada”.
E não muda mesmo. O Flamengo continua sendo o ÚNICO campeão brasileiro de 1987, seja lá o que diga CBF, Justiça, o Papa e quetais. Quem tem um mínimo de credibilidade e conhece um átimo da história sabe e reconhece esse fato, apondo a contragosto um asterisco imposto por alguma decisão proferida por quem nunca viu bola. Não me interessa ouvir a voz oportunista das carpideiras escovadas em campo pelos pés flamengos. Não me apraz pousar os olhos em textos ressentidos e eivados de desconhecimento, mal rabiscados por gente que à época se divertia com chocalhos e chupetas adocicadas da mamãe, enquanto o Zico arrebentava o resto de seu joelho comemorando a magistral cobrança de falta na gaveta do Birigui. “Foi o Flamengo? Sou contra!” Para esses, já existe o primoroso texto do Tinhorão escrito aí embaixo, só rolar a página. Mas essa história vem me proporcionando momentos deliciosos (epa!). Sim, porque poucas vezes tenho visto uma manifestação tão eloqüente de grandeza e de força flamenga como nesse atribulado e infeliz episódio. E a pequenez rival tem se manifestado em sua forma mais abjeta, mais cristalina. Chegarei lá. Tomemos como exemplo os nossos rivais (cof... cof... pausa para riso) do Rio. Há na empáfia fluminense, no derrotismo botafoguense e na resignação vascaína um traço em comum, ora surdo, por vezes declarado. O grande sonho de um torcedor dessa turma é ser reconhecido como o “Anti-Flamengo” em essência, o alter-ego da uma força que sabe não ser capaz de ombrear. Ocorre que a turma do arco-íris, ao se reconhecer e se projetar um anti-flamenguismo, assume sua pequenez, sua incapacidade de emitir luz própria. O Flamengo é a razão de sua existência, e no fundo cada torcedor coloridinho sabe disso. Busca-se “anti-Flamengo”, e se assume assim, aceita-se dessa forma, ostentando certa dignidade em sua insignificância.
Mas a grandeza flamenga suscita outro tipo de reação. Há os arco-íris que buscam sem êxito a supremacia do antagonismo. Mas há quem não queira simplesmente ser o “anti-Flamengo”. Há quem queira ser Flamengo. Aí reside a essência, o âmago da pequenez plena. “eu não quero ser anti-Flamengo, eu quero ser O Flamengo”. De nada vale ter CT’s caríssimos, elenco estelar, elogios maciços na televisão (nem sempre espontâneos), títulos a rodo, nutricionista, fisiologista, personal trainer, psicólogo, podólogo. Falta paixão. Falta amor. Falta intensidade. Falta o que faz do futebol vida, chama, ardor. Falta Flamengo. Não é se autodenominando “O Mais Querido” (depois de arrancar gritinhos e palminhas de uma torcida ao revelar-se tricolor, como a bandeira paulista, desafiando Vargas lá pelos anos 30/40), não é buscando roubar apelidos de ídolos (dando ao brucutu volante Chicão, conhecido açougueiro nos anos 70, o título póstumo de “Deus da Raça”), ou se autoproclamando a maior torcida do Brasil daqui a dez, quinze anos, a despeito de pesquisas que teimam em apontar justo o contrário, que se irá ser Flamengo. Não, não é assim.
Porque de repende vem um Ronaldinho, consagrado e entediado por anos e anos de rituais sofisticados, protocolos, fama, organização primorosa e dinheiro, muito dinheiro. Chega o cara, badaladíssimo, e é recebido numa cerimônia mambembe e esculhambada, num tablado escroto com alguém jogando papel picado pra cima com a mão. E o cara sente. E se arrepia. E chora. E na hora vira Flamengo e começa a correr como um louco nos jogos, como se 17 anos tivesse. Sinceramente, eu já fiz mais questão dessa Taça de Bolinhas. Mas que fique no Morumbi. E que se exponha a dita-cuja com destaque, isolada em algum salão nobre de museu. E que seja fartamente iluminada, que cada bolinha irradie uma luz ofuscante, incômoda, caudalosamente amoral. Que o São Paulo esfregue na cara de cada visitante sua incapacidade de ser Flamengo, materializada em uma taça que sabe não ser sua. Expondo nas entranhas do Morumbi uma das glórias flamengas, apenas estará manifestando, da forma mais eloqüente, aquilo que sempre terá perseguido ao longo dos anos e de sua história, sem jamais alcançar. A emoção de representar uma Nação.____________
1. Todos os créditos dessa postagem ao Adriano Melo.
Um "foda-se" duplo pros dirigentes do Sport!
(MONNERAT, André)
Poesia em linha reta
E sempre que começo a falar sobre isso dá uma brecada. É um amontoado de clichês. Mas desculpa, sabe? É o que tem para hoje. É como eu sempre me senti, desde a infância. Não ter afeto. Vem a consequência. Achar que não mereço o afeto. Achar que ninguém nunca. Então vem alguém e diz "mas que bobeira, é coisa da sua cabeça" e eu só dou um sorriso vazio e assim segue a vida. Porque eu vivo isso aqui. Eu sei que não é coisa da minha cabeça.
Claro que no fim das contas a culpa é toda minha. Eu que não tenho paciência, eu que rechaço qualquer possibilidade, eu que prefiro ficar em casa vendo seriado. Dói menos não viver. Sofre menos quem deixa de procurar. Houve uma época em que eu procurava, eu tentava, e o final era o esperado: eu bêbada chorando.
Reforço que tentei. Passei a assistir a minha vida, e não a vivê-la, no momento em que vivi e soube que não teria nada.
11.2.11
Obrigada.
Próximo...
Futilidade's Time: BBB 11
No BBB a gente tem o julgamento do público. E por mais que se aceitem Natálias (BBB8), Fanis (BBB7), nós ainda estamos atracados em um pensamento conservador.
Motivo pela qual a Natália, da atual edição, é vista de forma negativa, porque ninguém espera que uma mulher tenha força para liderar. E ela tem. E as pessoas não gostam. Até a Dilma, na eleição, teve que abandonar o ar de durona, no que, acredito, tenha sido uma estratégia muito boa da campanha. Ninguém gosta de mulher assim. Tem que ser doce e tal. E a Natália não é. A Natália manda. Qualquer homem que lidere será visto como um líder apenas. A mulher quando lidera é vista como A MULHER que lidera. Causa desconforto. E nem é um preconceito pensado, é meio instintivo quando não é algo que estamos acostumados.
Então, entraram os novos participantes. E "O Bone - The Boss" tinha a chance de colocar duas pessoas causadoras de grandes eventos e daí me coloca duas portas. Quando olhei pela primeira vez, já sabia. Wesley pegador, Adriana gostosa "me aproximo dos homens, mulheres são falsas". E assim, beleza, até movimenta mais o jogo, fez ciúme nas outras mulheres, está rendendo boas cenas o semi romance com a Maria. Mas ponto. Não há nada além disso. Duas samambaias para fazer parte do grande jardim botânico que está essa casa.
E então temos a votação da casa de vidro. A grande chance de trazer duas participantes que certamente fariam a diferença: Ariadna (minha preferida pra voltar) e Michelly (uó, porém útil). E quem o público traz de volta?
O pobre menino do bem, o gente boa que foi corneado pela namorada má que fazia dream cam. Como se o "menino gente boa" não tivesse dito "qualquer um que chegasse pegaria a Maria". Porque, assim, de onde eu vim, um cara que fala isso é um grande babaca. Como se o próprio tipo do Maurício, fortão, morador de copacabana, vocalista de banda de rock, não significasse nada. Gato, quer enganar a quem? A mim não engana. E lógico que tem gente do BEM com todas essas características, mas a vida não é uma caverna do dragão para você colocar uma plaquinha "eu sou do bem". Defina o bem.
Diego Alemão enganou um país inteiro com um amor fake. Ganhou um milhão, comeu a semi virgem, três meses depois deu um chute na bunda dela e hoje taí: rindo da cara de todo mundo e sendo o mesmo babaca de quando entrou no BBB.
Maurício indo pelo mesmo caminho. O corno do bem que tem a chance de fazer justiça, mas que, como boa samambaia, nem vai fazer nada, só vai dizer "lá em casa a gente recicla o lixo" e assim segue a vida no BBB. "Fala que eu te escuto" tem mais emoção.
Tivemos um paredão ótimo. Cristiano x Rodrigão. Ótimo porque a planta-mor, o pai de todas as samambaias, Rodrigão, é forte para o público UÓ (MIL VEZES UÓ) que vota. Cristiano, que também é forte, tem uma grande chance de chutar essa planta do BBB. Chegou num nível decisivo o jogo. Cristiano ficando era mais uma chance desse programa engrenar, coisa que ainda não aconteceu. Rodrigão ficando é RIP BBB 11 mesmo.
Da (in)capacidade de me expressar
31.12.10
Que venha 2011...
29.12.10
25.12.10
Vamos falar de coisas boas...
Afinal, eu tô precisando!
Ao contrário da maioria das pessoas com curso superior no país, eu não fico pagando de gatinha falso-intelecto renegando a cultura popular e achando a maior graça no cinema europeu. Até porque tenho dificuldade em identificar países europeus, africanos e asiáticos. Tipo essa galera que diz que não assiste televisão. Se tu não assiste televisão tu não é feliz . Não que tv traga felicidade, nem que eu seja feliz só por ver televisão; mas é que se você não consegue se livrar do egocentrismo por um minuto e prestar atenção na vida dos outros, como é que tu vai saber o que deve ou não fazer?
Nós aprendemos com Friends que não podemos dormir com outras pessoas enquanto nosso namoro tiver dando um tempo, com a Maria do Bairro que não devemos sair andando por aí com um rescém nascido nos braços e da-lo a um estranho qualquer e com o casal Nardoni que, se quiser matar uma criança tem que fazer o troço direito.
No entanto, não contentes em terem 03 minutos a cada intervalo comercial e ganharem todas as promoções de ''ESCREVA A FRASE MAIS CRIATIVA'', os publicitários estão povoando nosso maravilhoso meio de aprendizado com os merchan. e esse post é sobre isso: grandes merchans que marcaram minha vida (música dramática de Gugu sentindo na pele).
Quem teve o prazer de conhecer a finada Rede Manchete (atual rede tv!) já deve saber do que eu estou falando. Antes do pessoal estragar tudo com os otakus, cosplay e marimoon, os desenhos japoneses eram a alegria da garotada e passavam na tv aberta. O maior expoente dessa onda foi o Cavaleiros do Zodíaco. Daí que o intervalo de cavaleiros do zodíaco era composto solamente por esse comercial do Sonic 2000 e ninguém aguentava mais ouvir o cara dizendo que tinha ouvido a agulha cair no outro lado da XALA. Só queria saber quem foi o gênio que achou que iria vender muito se colocasse um comercial de aparelho de audição no intervalo de um desenho infantil. Qual a porcentagem de crianças com problemas auditivos? Destaque para a dica de que com essse aparelho fica mais fácil ouvir atrás da porta.
Quem pegou os tempos áureos do Programa do Ratinho, não essa porcaria de hoje em dia, o programa que passava em horário nobre e competia com a novela da Globo e tinha o maravilhoso teste de DNA, sabe do que eu estou falando. Para a produção do Ratinho a solução para todos os problemas das pessoas eram aquela máquina de fazer fraldas descartáveis, lembram?
Seu filho tem fogo verde? Toma essa maravilhosa máquina de fazer fraldas! Faz fraldas de ótima qualidade, fraldas pra crianças, fraldas geriátrica,s faz até absorvente... vai ajudar a complementar a renda familiar; ela faz até 32u48y398hr43uhfg738 mil fraldas por milésimo de segundo por apenas 30 centavos e tu pode vender por 40 reais.
Você trouxe 09 caras pra fazer o teste de dna pra ver quem é o pai do steu filho? Toma essa maravilhosa máquina de fazer fraldas, faz fraldas de ótima qualidade, fraldas pra crianças fraldas geriátricas, faz até absorvente vai ajudar a complementar a renda familiar; ela faz até 32u48y398hr43uhfg738 mil fraldas por milésimo de segundo por apenas 30 centavos e vc pode vender por 40 reais.
Olha você pode até não se lembrar da iogurteira, mas da Aracy tu vai lembrar. Acho que foi uma das pioneiras em interagir com o apresentador do programa. Ela era tão foda que te convencia de que tu precisava dessa iogurteira, que ela ia mudar sua vida. Você iria emagrecer, ter uma vida mais saudável, previnir doenças e ganhar na loteria. Agora, alguém me diz para quê diabos tu precisa de uma máquina de fazer iogurte se tu podes comprar um pronto no mercado sem o inconveniente de ter que lavar essa merda dessa máquina depois?
A grande vantagem desse merchan era treinar e enriquecer seu inglês toda hora que a Lulu ia falar sobre o seu shake. Agora não tem mais tanta graça porque ela já aprendeu português.
Bom, vai começar o Roberto Carlos espeial na tv e minha avó adora. Vou ser fútil dois instantes ali e já volto.

