10.7.11

Quando eu não estou deprimida, eu sinto vontade de ser uma pessoa melhor.

Sabe assim? Vontade de conversar, de responder, de perguntar, de ligar e dizer oi, de mandar um e-mail.Vontade de me importar.É um alívio tão grande me importar com alguém e com as coisas e com o mundo que eu nem sei dizer.

(Infelizmente, é impossível explicar pra todas as pessoas do mundo que, olha, desculpa, não é que eu seja antipática, não é que eu odeie você. É só que eu não consigo. Hoje eu não consigo. Não consigo ser eu. A tristeza me tira de mim mesma. Não consigo conversar, responder, perguntar, ligar. Não consigo me importar quando nem faz sentido estar acordada. E toda a pouca energia que eu tenho está sendo usada pra disfarçar. E se eu fizer algum esforço além, vou chorar e todo mundo vai perceber e ter pena de mim ou vai pensar que eu sou maluca. Porque eu não tenho motivo pra chorar. A depressão faz de mim uma pessoa pior. E, sim, eu sei que é ruim conviver com alguém assim. Mas eu garanto, eu tenho certeza que ninguém pode achar tão ruim quanto eu, que estou dentro de mim.)

22.6.11

Eu sou pessoa que perdoa a pisada de bola dizendo "não, imagina. normal. eu não posso mesmo esperar que todo mundo seja correto como eu sou. cada um faz o que sabe fazer."

E a pessoa me odeia pro resto da vida, é claro.
Eu tava no restaurante do shopping esperando duas amigas. Tomando um chopp e lendo o cardápio. Entrou um vendedor de flores. Ele tava com a camisa do Mengão, então ganhou minha simpatia imediata. Quis comprar pra mim e pra minhas amigas. Depois de um dia inteiro trabalhando com uma cambada de pirralhos, alguém tem que ser legal com a gente.

-Quanto é?
-Dez Reais. Mas pra você que tá sozinha eu faço por 5.

Ah, sim, e a peninha que você sentiu de mim vem de brinde?

Não comprei, claro. Sozinha está a sua madrinha.

Sobre o Facebook

"Fulaninha de Tal" adicionou você como amigo no Facebook. Precisamos confirmar se você conhece Fulaninha para que sejam amigos no Facebook.

Claro que conheço! Conheço e é uma grande babaca. Escreve aí, Facebook: ba-ba-ca.

Arg!

Daí, você faz uma das maiores palhaçadas que eu já vi na minha vida. E depois fica se fazendo de legal só porque pediu desculpa. Aliás, um dos piores pedidos de desculpa que eu já recebi. Sério que você quer ser meu amigo no Facebook?

E aí, Facebook, tem como responder com um "ARE YOU FUCKING KIDDING ME?"
Meus alunos ficam tentando adivinhar qual é a minha idade.
Um horror.
Nisso, já ouvi que tenho 19 (fe-li-ci-da-de), 23, 24, 25, 26, 29 e 36.
Ao 36 seguiu-se um princípio de infarte.

18.6.11

Releituras...

Uma (breve) releitura de um texto datado lá de março de 2009. Porque tudo, com um maior grau de insatisfação, continua valendo.
Segue.

[março, 2009 - junho, 2011]

Tu sabes como é sentir-se estrangeiro em sua própria casa? Tu já teves essa sensação, esse gelado no estômago, essa consciência vazia do prolongar segundos e perder um ônibus? Incessante, vagando pela avenida, essa busca de um pretexto murcho. Um desvario de sentidos, sentindo o pescoço morno, os cabelos em suor. Tu já se sentiu cansado, pernas doendo, a necessidade física de repouso? Só o prazer pequeno de tirar os sapatos, sentir o chão frio do banheiro, a água batendo morna nas costas. E mesmo assim, enfrentando ruas escuras, passo rápido, uma quase luta contra a gravidade, porque ir a pé leva mais tempo que pegar um táxi. E se sente estrangeiro e sente que não conhece a língua e os costumes. E além de estrangeiro, é refugiado, é imigrante ilegal, é mal quisto. Tu chega em casa e as pessoas não olham para você. Elas não dizem porque não olham, tu até desconfia, mas elas não falam nada. Como um estrangeiro enfiado em um país repleto de bons maneirismos e politicamente correto. Nesse país onde seu pai, a sua mãe não olham. Aqueles que deveriam, porque alguém um dia falou que deveriam, ter intimidade, ter liberdade. Seu pai e a sua mãe acordando todos os dias, obrigados a passar pelo seu quarto todos os dias. Uma sentença, porque não, eles não olham. Vezenquando, viram de leve o pescoço, olham para o quarto como se estivesse vazio porém tu estás ali sentado na cadeira, mexendo em papéis, deitado na cama, lendo um livro. E no início você retribuía o olhar, esperança de pelo menos uma pergunta. Uma dúvida. Sei lá, um indício do que afinal não vai bem. Mas não, eles são tácitos e olham para a janela e olham para a tela colorida do monitor. E olham através de. Mas nunca para você. E talvez, no cansaço de quase carimbar um passaporte toda vez que abre a porta, acresça a vontade de sair gritando, arrumar um pretexto e sair gritando. Enfático, deixar esse ignorar insosso de lado, expelindo perdigotos, sujando espelhos. Mas passa. No não olhar a vontade vai esvaindo, correndo em um filete que não é de choro, porque você não pode chorar. Tu, estrangeiro nesse país que não permite choro, que não permite queixas.Chegando todos os dias nesse lugar onde não pode elevar a voz, onde sobrevive não sabe como porque diariamente uma emenda constitucional parece reinar. Tu não pode fazer cara feia. Não pode responder. Não pode ficar triste. Não pode silenciar também, porque o seu silêncio é falta grave nesse país de mudos.
E tu simplesmente não pode ir embora. Não. Tu estás preso, contraiu dívidas, faltou com a lei. E o pior não é pagar por faltas constitucionais. O pior é pagar pela essência de existir.
*
*
*
[e nesse momento eu queria ainda te pertencer. E não digo estar contigo e não digo te ter, porque é nessa dor que eu mais precisaria te pertencer. Só para que me tomasse no colo. Um beijo nos lábios e teus olhos castanhos que entrariam nos meus olhos mais e mais escuros e eu saberia, ali, te pertencer. Deixando que me chamasse de nomes que só tu conhece, aconchegando minha pequenez junto a ti, junto a tua voz, ao teu cheiro. Porque é aqui, nesse momento onde mais dói que eu precisaria de que um pouquinho daquilo que sempre prometestes fizesse sentido]

16.6.11

Daí você - no caso, eu - está lá, lendo um livro que tem "amor" no título. E alguém repara no título.

E você tem que ajeitar os óculos e dizer:

-Hum, na verdade, é um livro sobre loucura, obsessão e sobre como o amor não resiste a tudo.

Essa sou eu. Esse é o meu jeitinho.

Não basta trabalhar doente.

Não basta trabalhar na quinta-feira pós dengue. Enquanto estou saindo de casa, ainda tenho que ouvir alguém perguntar:

-Natyara, você penteou esse cabelo?

Assim, defina pentear.

Pois você passa esse tempo todo tentando ter o controle absoluto. Dizendo que não tem nada, que não há nada, que tá tudo bem assim. Prometendo que você nunca mais vai sentir aquilo e nunca mais vai ficar de coração partido porque ninguém mais vai chegar tãããão perto.

E é só quando você está chorando, arrasada, por alguém que não era pra ter te deixado arrasada, alguém que você jurou que não ia te deixar arrasada, que você pensa: estúpida.

Estúpida.

Senhor (a) Anônimo

É um blog bobo, escrito por uma pessoa boba para outras pessoas bobas. E nada mais.
Okay?